"Que início clichê, Nachbin. Caramba, não tinha um título mais batido, não?!"
Preferi ficar mudo.
"Por que este lugar-comum do tamanho do Brasil?"
"Do tamanho do Brasil é um lugar-comum que vai do Oiapoque ao Chuí. Nós dois começamos mal", respondi.
"Falei de propósito, você não percebeu?"
"Eu também comecei com o clichê de propósito, mas você não deixou que continuasse", rebati.
"É que o clichê é a ausência de criação. É o jornalismo burocrático, mecânico. Fuja disso."
"Aaaahhhh, muito obrigado, não sabia o que era um clichê...", resolvi debochar um pouco. "E eu fujo do clichê como o diabo foge da cruz.... Calma, calma, falei para provocar."
Silêncio do meu interlocutor.
"Só escrevi o famigerado 'do Oiapoque ao Chuí' para dizer que encontrei seguidores do Passagem tanto no Oiapoque, quanto no Chuí. E aí vai uma foto à beira do rio Oiapoque com a ótima Edilza. No dia do meu aniversário, lá no Oiapoque, a Edilza me deu uma caixa de bombons."
"Aaaahhhh, que singelo!... Não, brincadeira, achei bacana, sério mesmo."
"Ok, ok, ok, sem problema. Só queria mandar um beijo carinhoso para a Edilza. E um abraço forte para o Renê, que conheci no Chuí. Me mande uma foto sua, Renê!"
"E envie também uma caixinha de bombons de chocolate com nozes para o Nachbin, ok, Renê?..."
Me retirei. Tinha mais o que fazer.
Ainda estou engatinhando nas redes sociais - admito plenamente. Estou atrasado - reconheço e padeço. "Twitter", para mim, é uma ferramenta esporádica, que sub-utilizo. Do "Facebook" conheço o layout - passo em frente ao computador da Ludmila, minha mulher, e o vejo de relance. No Orkut existe uma comunidade do Passagem para. Quando entrei lá pela primeira vez, achei sensacional.
Também curti a segunda, a terceira, a quarta... Mas não consegui, assim como não consigo até hoje, fazer com que entrasse na minha rotina.
Aí, o que acontece? Acabo ficando um tempão, às vezes, sem dar notícias. O silêncio me seduz, não sei muito bem por quê. Mas o gosto pela introspecção não é maior que o meu prazer pelo ofício de contar histórias.
Bom, agora com licença que vou twittar. Acompanhe minhas experiências em @luisnachbin.
Sozinho, aqui no Oiapoque, me abraço e me digo 'parabéns'!
"Pô, Nachbin, que comecinho mais piegas."
Hoje completo 46 primaveras e queria dividir a alegria desta data com vocês.
"Pô, bicho, piorou. Jornalista adora um textinho clichê, não é não?"
Hoje, 30 de julho de 2010, aqui no Oiapoque, cumpro mais um aniversário na estrada.
"Cumpro?! Você está cumprindo aniversário?! Tudo bem que a sua idade começa a ficar comprida, mas aí é com 'o', não é com 'u'. Sacou?"
Para um viajante, a 'cereja do bolo' é a estrada. E hoje, aqui no Oiapoque, não me sinto só. É como se...
"Espera aí, espera aí! 'Cereja do bolo' é de ferrar, não tem a menor condição. Se quiser ser brega, então vá com tudo, Nachiba. Mas aí que fique claro que esta é a sua proposta de estilo."
Quarenta e seis anos atrás, no distante Seneca Lake, norte do estado de Nova Iorque, Estados Unidos, iniciava as contrações na barriga da minha Mãe.
"Olha, melhorou um pouco porque tem informação. Talvez não saibam que você nasceu por lá, e tal. Mas, foi você quem iniciou as contrações? Não sei, soou esquisito. Última tentativa, ou então desiste logo deste texto egocêntrico."
Pessoal: hoje faço 46 anos, tô meio carente, sozinho aqui no Oiapoque. É isso.
"Ok, ok , agora pelo menos o texto ficou simples e sincero. Mania que esses jornalistas têm de criar firula e complicar a história."
Todo dia faço tudo igual aqui no Oiapoque.
Acordo às 6:40, me alongo, abro a janela para sair o cheiro de mofo, lavo o rosto, troco de roupa e subo dois lances de escada até o terraço, no quarto andar, do Paris Hotel.
Me sento na mesma cadeira, diante da mesma mesa - de frente para o rio Oiapoque, com a selva da Guiana Francesa ao fundo.
Começo com uma xícara de café puro. Depois como meio pão francês com manteiga, queijo amarelo e banana.
Pego nova xícara de café e termino o pão. Arremato com três fatias de mamão, uma fatia de melão e mais uma banana.
Digo “obrigado” em voz alta para a moça da cozinha escutar e desço para o quarto. Escovo os dentes, fico só de cueca, passo filtro solar no corpo inteiro e inicio o meu ritual de proteção.
Coloco os meus seis amuletos sobre a cama, ao lado da minha perna esquerda; e quatro fotografias - duas da Ludmila, duas da Cecília - ao lado da perna direita. Conforme vou passando de amuleto em amuleto, os coloco dentro de uma bolsinha que comprei na Índia, em 2005. O ritual dura 9 minutos.
Preparo o equipamento de gravação e desço. Faço imagens planejadas e outras tantas espontâneas.
Por volta de 10:15, vou ao encontro da minha personagem. Interajo com ela e com tantos outros copersonagens - com e sem a câmera. Às 11:30, depois de já ter eliminado muito líquido pelo suor, vou ao banheiro pela segunda vez no dia para fazer xixi. Logo em seguida, bebo um pequeno copo de café, que já vem com açúcar. Prefiro puro, mas aceito assim mesmo. Também tomo muita água nesta hora.
Às 12:40, me despeço. Houve já duas exceções: na terça e na quinta da semana passada, almocei lá. Bom, em geral volto para o hotel, me banho, assisto ao último bloco do Globo Esporte (em preto e branco, já que a TV do meu quarto quase sempre não tem cor), visto a outra bermuda que trouxe e uma das 3 camisas - a branca, a amarela ou a vinho. A que estiver limpa. Também vejo o início do Jornal Hoje, enquanto organizo as informações colhidas durante a manhã.
Às 13:40, vou ao restaurante Tempero Nativo e peço o peixe executivo: arroz, feijão preto, purê de batata, farofa e peixe (alterno entre à milanesa ou na chapa). Almoço assistindo ao programa de esporte do José Luiz Datena, que está sempre implicando com o ex-jogador e agora comentarista Neto.
Termino pontualmente às 14:25. Pago, digo ao caixa Maike que estava ótimo, ponho dois reais na caixinha (o prato custa 13,00) e caminho de volta. O tempo já está mudando, as nuvens estão cada vez mais cinzentas e faz um pouco menos calor.
No quarto, tiro toda a roupa e me deito do lado esquerdo da cama de casal - a parte que não é devassada. A janela, nesta hora, está sempre aberta.
Cochilo de 14:35 às 15:15. Me levanto preguiçosamente, lamento sem saber por que, faço bochecho com flúor, lavo o rosto e vou para uma lan house a 150 metros do hotel, ladeira acima. O rapaz abre o mesmo sorriso e eu sempre vou para o terminal 5, acompanhado de uma garrafa de 510 ml de água mineral. Trabalho no computador até às 5 da tarde. Entre 16:20 e 16:35, a Internet fica ainda mais lenta por conta da chuva torrencial. Pago um valor que, curiosamente, varia entre 3,70 e 3,90.
Caminho de volta para o hotel, agora ladeira abaixo, pego o equipamento audiovisual e vou novamente ao encontro dos meus entrevistados. No caminho gravo cenas inesperadas - próximas ao rio Oiapoque. Trabalho com a câmera até o limite da luz natural - entre 18:53 e 19:00. Depois interajo e apuro mais informações, sem a câmera, até às 8 da noite.
Me despeço - digo sempre “até amanhã, boa noite para todos” - e ando durante exatos 12 minutos até o Paris Hotel. Sempre chego correndo no quarto por conta da imensa vontade de urinar. Depois relaxo no chão, assistindo a cinco minutos do Jornal da Band, até que entro no box do chuveiro.
Enquanto me enxugo, vejo trechos do Jornal Nacional. Em seguida, organizo as informações de trabalho, tomo mais água e atendo o telefonema da Ludmila, às 9 horas. Digo que estou morrendo de saudade, ouço ao fundo palavras soltas da Cecília e me despeço. Tenho muita fome e vou comer. Visto a mesma calça comprida preta, jeans, e o mesmo tênis - também preto.
Alterno entre o restaurante Terra do Meio e a barraquinha da tiazinha que faz hamburger. No primeiro, como iscas de peixe. No segundo, um cheeseburger com batata palha. No primeiro, sou atendido por uma garçonete muito bonitinha que deve ter 22 anos. No segundo, por um adolescente de 14 que me olha hipnotizado. Nos dois, sempre bebo uma cerveja. Duas vezes, bebi duas. Às 22:20 pago a conta, agradeço, atravesso a rua e peço uma bola de sorvete na sorveteria do Bosco. Seja qual for o sabor, sempre acrescento calda de chocolate, que é de graça. Hoje provei Floresta Negra - uma mistura de chocolate que não entendi bem. Mas estava ok.
Caminhando de volta, sempre sou abordado pela minha amiga prostituta, que pergunta se não quero fazer um programa. Digo que não. Na primeira noite, ela me pediu dinheiro. Disse que estava com fome. Dei 10,00. Na segunda noite me pediu uma camisinha. Disse que não tinha. A partir da terceira noite, não me pediu mais nada. Só pergunta se não mudei de ideia em relação ao programa.
Entro de novo no quarto às 22:50. Passo fio dental, escovo os dentes, ponho o celular e as baterias da câmera para carregar, leio um pouquinho, assisto a um pouco mais de televisão - no quarto só pegam Globo, Band e SBT - e apago a luz às 23:30 em ponto.
Salvo um ou outro comentário que seria íntimo demais, e uma ou outra informação que não posso expor por conta da história que estou investigando, esta é a minha vida desde que me mudei para o Oiapoque.
Me pergunta o produtor local que acabara de conhecer aqui no Oiapoque, ainda no primeiro copo de cerveja:
"Você já namorou uma mulher do Amapá?"
Parei, pensei - só para fazer estilo - e respondi:
"Não, não que me lembre".
Eu tinha certeza que não.
"Pois a mulher daqui tem quadril largo. E mulher de quadril largo, em geral, é quente".
Não gosto de generalizações - "mulher 'x' é assim", "homem 'y' é assado". Essas coisas. Mas, por conta do comentário, só tenho visto mulher de quadril largo aqui pelas redondezas da fronteira com a Guiana Francesa.
Os meus olhos, subitamente, se transformaram em uma lente grande angular.
Parei em Tartarugalzinho, Amapá, para fazer xixi e comprar água. Quando fui pagar, vi um calendário com foto de José Sarney. Me surpreendi e puxei assunto com a senhora que recebeu os meus 5 reais - Charles, o motorista, havia comido um pastel e tomado um refresco de caju.
"Um maranhense aqui no Amapá?"
O sorriso irônico que coloquei sem querer no canto da boca gerou uma reação um pouco mais forte.
"Meu filho, ele é senador aqui pelo estado do Amapá!", exclamou dona Narcisa, uma senhora de 60 e poucos anos que usava dois brincos de argola bem largos.
"E a senhora gosta dele?"
Os olhos de dona Narcisa se arregalaram. Senti um silêncio quase constrangedor, quebrado por um sorriso quase doce da dona do lugar.
"Deixa eu contar uma coisa para você, menino. Uma vez parou aqui o senador, acompanhado da comitiva. Eu já tava avisada, claro, e preparei um leitão à pururuca daqueles. Tinha tudo, tinha batata, tinha salada, tinha tudo quanto é tipo de enfeite. Vou lhe dizer: além de gostoso, o meu leitão tava bonito! Mas eu me esqueci do arroz. Me esqueci do arroz, meu filho! E você sabe o que disse o senador? Você sabe?"
A intensidade de dona Narcisa me deixou com enorme dificuldade para sussurar um tímido "não".
"Ele não falou foi nada! Que pessoa simples! Um senador da República, comeu o prato todinho, sem arroz, e não levantou uma vírgula para reclamar."
O Passagem está descansando um pouco, mas não o viajante... Depois de gravar em 53 países, de conhecer alguns outros a passeio e de já ter visitado vários estados brasileiros - acho que a grande maioria -, eis que piso no Amazonas pela primeira vez. Depois conto os motivos - ando investigando alguns caminhos...
Pois bem... Neste domingo havia a final do segundo turno do falido campeonato carioca. Falido, mas que na hora "h" gera emoções, provocações, etc. E, como todo mundo sabe, nas últimas finais o Flamengo sempre derrotou o Botafogo - de 2007 para cá.
Comprovadamente, indiscutivelmente, o rendimento do Botafogo cresce muito sempre que viajo - assim como o do Flamengo cai drasticamente sempre que me dirijo ao aeroporto. Bastou pisar na Jamaica para o Flamengo sofrer a derrota mais vergonhosa na história do clube - três a zero para o América do México, em 2008, no Maracanã. Já praticamente rebaixado algumas vezes nos últimos anos, o Botafogo sempre se reergue, para espanto geral, tão logo eu cruzo a fronteira do estado do Rio. Nem preciso ir para longe - mas tenho que sair do estado.
Bom, na quinta-feira passada vim para São Gabriel da Cachoeira, cidade bem indígena à beira do rio Negro. Outro dia falo de São Gabriel... Pra minha sorte, o jogo da TV Globo aqui para o norte era justamente Botafogo e Flamengo. "Maravilha", pensei. Como a televisão da minha hospedagem é em preto e branco (primeiro bom sinal) e cheia de fantasmas, desci para procurar por um bar com televisão. O que eu previa se confirmou: havia muito, mas muito flamenguista nas ruas. Estou falando de São Gabriel da Cachoeira, não do Rio de Janeiro.
Não desanimei e fui atrás de um reduto mais calmo. Achei e fiquei. Havia três flamenguistas, dois neutros e um botafoguense - dois, se eu me incluir. E aí... Aí todos já sabem o restante da história. Quando o goleiro Jefferson, do Botafogo, defendeu o pênalti do Adriano, corri para o meio da rua e gritei "Foooooooogooooooooooo!!!!" com gás total. Uma família indígena, que passava pela calçada, quase rolou de rir. A senhora apontava para mim, cochichava algo em língua tukana para o marido e voltava a gargalhar. Muito bom, muito bom.
Fiquei especialmente feliz com este título do Botafogo porque tenho certeza de que fiz a minha parte. Só não sei ainda se terei que vir para São Gabriel da Cachoeira sempre que o Botafogo disputar uma decisão...
Não sei muito bem por que, mas sei muito bem que às vezes eu sumo. Me isolo geograficamente – passo dois meses na Sibéria ou 50 dias zanzando pela América Central. Ou fico quieto no meu canto, como aconteceu agora.
Na verdade, “quieto” é força de expressão. Andei pelo sul do país, passei pelo Uruguai, depois dei um pulo em Rondônia… Qualquer hora dessas conto mais, explico em detalhes. Prometo.
Tenho trabalhado muito e investigado novas possibilidades narrativas. Não sei bem quando o Passagem voltará, quando poderei anunciar alguma novidade no ar. Talvez demore, talvez nem tanto.
Assim estou neste 12 de abril – sem saber ao certo, tampouco descartando. E querendo discussões novas. Não lanço nenhuma agora. Por enquanto, só queria dizer que voltei ao nosso ‘velho’ site. Olá para todos!
Qual foi 50º país visitado por Luís Nachbin? Ontem, quem participou do chat com o apresentador quebrou a cabeça para descobrir que foi o Belize. Os 10 primeiros que enviaram a resposta correta e ganharam o livro "1000 lugares para conhecer antes de morrer" são:
Valderir Facundo do NascimentoÀquila Rodrigues Costa SantosAldemar Freitas Matias JúniorFabiana VieiraAnderson MouraMaria Elisa ConninckDaniel Faes e GraçaMonique Maria BatistaCarla FestucciGabriel Peixoto Castro Oria
Agradecemos a todos que participaram do chat e da promoção!
O programa que fechou as viagens do “Passagem para...” pela América Latina começa com uma conversa entre Luís Nachbin e a cubana Liudmila Quincoses, uma escritora de cartas de amor. Nachbin, o cliente, quer uma carta de amor para sua mulher, Ludmila Rosa – por coincidência, xará da escritora. Para ter elementos para escrever a carta, a Liudmila cubana toma para si o papel de entrevistadora e faz várias perguntas pessoais para Nachbin. A conversa na íntegra não coube no programa, mas você confere no vídeo a seguir. Depois, compare com o texto da carta, mais abaixo (no original em espanhol e na tradução para o português).
Meu amor, minha Luda,
Andávamos sem procurar um ao outro, mas sabendo que andávamos para nos encontrarmos. Eu não te escolhi, mas não se pode escolher o sol que vai nos iluminar. Nem a chuva que vai nos molhar numa tarde qualquer. Simplesmente aconteceu. Tive você diante de mim e me dei conta de que estaria na minha vida para sempre. Não importa que tenha entrado e saído da minha história. É como se tudo já estivesse premeditado. Quero agradecer por me mostrar o que é realmente a felicidade. Por me deixar ficar ao seu lado. Por me fazer compreender melhor a vida. Por me mostrar o real sentido de pertencimento a um lugar. O doce sacrifício que é a família. Obrigado também por Cecília. Aprender a ser pai é também aprender a ser um pouco mais homem. No sentido universal da palavra. Perto de vocês, me sinto protegido. Vocês são meu escudo, minha fortaleza, a única pátria que eu conheço. Por último, quero agradecer a sua compreensão, a maneira como entende o meu trabalho. Esta viagem, por exemplo, é tão especial para mim porque a felicidade é completa quando, ao final do dia, volto depois de tanto trabalho e você está aqui para dividir o peso, para me aliviar. Minha vida, perto de você me sinto cada vez mais inspirado. O mundo é um lugar perfeito quando estou junto com vocês. Descobri com você o verdadeiro sentido da palavra amor. Te amo um pouco mais que antes, um pouco mais que sempre.
Luís.
Mi amor, mi Luda,
Andábamos sin buscarnos, pero sabiendo que andábamos para encontrarnos. Yo no te elegí. Uno no puede elegir el sol que lo va a alumbrar, ni la lluvia que lo mojará una tarde cualquiera. Simplemente sucedió. Te tuve frente a mí y me di cuenta que estarías en mi vida para siempre. No importa que entraras y salieras de mi historia. Al final estabas como premeditada. Quiero agradecerte por mostrarme realmente qué es la felicidad. Por dejarme quedarme a tu lado. Por hacerme comprender mejor la vida. Por mostrarme realmente el sentido de pertenencia a un lugar. El dulce sacrificio que es la familia. Gracias también por Cecília. Aprender a ser padre es también aprender a ser un poco más hombre. En el sentido universal de la palabra. Cerca de ustedes me siento protegido. Ustedes son mi escudo, mi fortaleza, la única patria que conozco. Por último, quiero agradecer tu comprensión, la manera en que entiendes mi trabajo. Este viaje, por ejemplo, que es tan especial para mí, porque la felicidad es completa cuando al final del día regreso después de tanto trabajo y estás para compartir la carga, para aliviarme. Vida mía, cerca de tí me siento cada vez más inspirado. El mundo es un lugar perfecto cuando estoy junto con ustedes. He descubierto contigo el verdadero sentido de la palabra amor. Te amo un poco más que antes, un poco más que siempre.